Reino Unido autoriza estudo que visa infectar jovens saudáveis com coronavírus

> Publicado 17 fevereiro - Leitura Read

O ensaio britânico vai começar dentro de um mês, com 90 voluntários de 18 e 30 anos, que serão expostos a uma quantidade diminuta do patógeno em ambiente controlado.

                             
TESTE

                                                       

Infectar jovens saudáveis com coronavírus para acelerar a pesquisa sobre a vacina, trata-se de um estudo de desafio humano, um tipo de experimento que exige a aprovação do conselho de ética do HRA (Health Research Authority), que supervisiona pesquisas de saúde no país.



O objetivo final é acelerar a pesquisa sobre vacinas, mas, nessa primeira etapa, os pesquisadores querem determinar qual é a menor quantidade de Sars-Cov-2 necessária para infectar um indivíduo.



“Essa informação é relevante para desenhar estudos posteriores envolvendo imunizantes”, disse Andrew Catchpole, diretor científico da hVivo, empresa privada especializada nesse tipo de ensaio, que participará do estudo. 



Nessa fase os cientistas também vão pesquisar como o sistema imunológico reage ao vírus e o que afeta a transmissão, segundo o virologista Lawrence Young, da Universidade de Warwick.



Os voluntários serão expostos à versão tradicional do coronavírus, e não às variantes mais contagiosas, porque já há estudos suficientes mostrando que o impacto do vírus original sobre jovens saudáveis é baixo.



O patógeno será “produzido” por uma equipe do hospital infantil Great Ormond Street, em colaboração com a hVivo e com virologistas do Imperial College London, e o experimento será feito em instalações especiais de pesquisa clínica do Royal Free Hospital em Londres, com equipamentos e medidas de segurança para evitar que o patógeno escape.



Médicos e cientistas irão monitorar os voluntários 24 horas por dia e, se eles desenvolverem sintomas, serão imediatamente tratados com o medicamento remdesivir, que já demonstrou eficácia para combater o Sars-Cov-2.



Segundo o chefe de vacinas da Fundação Wellcome (que promove pesquisas em saúde), Charlie Weller, “considerando que as opções de tratamento atuais para Covid-19 são limitadas”, é importante que os voluntários sejam recrutados nos grupos de menor risco e sejam monitorados de perto.



Testes desse tipo já são usados para estudar infecções, tratamentos e vacinas para muitos organismos diferentes, desde o vírus do resfriado comum até o protozoário causador da malária.

 


O primeiro experimento conhecido aconteceu em 1796, quando o pioneiro das vacinas Edward Jenner inoculou James Phipps, de 8 anos, com o vírus vivo da varíola bovina.



Segundo o HRA, a segunda etapa, na qual voluntários serão expostos ao coronavírus depois de vacinados, ainda deve demorar.



TRIBUNAPR
Redação da Maré.

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