ABTP selecionou o perfil de 3 portuárias para prestar homenagem ao Dia Internacional da Mulher

> Publicado 08 março - Leitura Read

 

Lucinéia Amorim, da Cotriguaçu, no Porto de Paranaguá, é uma das mulheres homenageadas pela Associação Brasileira de Terminais Portuários


 

(ABTP) selecionou o perfil de 3 portuárias para prestar homenagem


As mulheres estão cada vez mais presentes como profissionais em terminais portuários do Brasil, que no ano passado movimentaram 1,151 bilhão de toneladas, com crescimento de 4,2% em relação a 2019.


A importância feminina é destacada pela Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), que selecionou o perfil de 3 portuárias para prestar homenagem ao Dia Internacional da Mulher, neste 8 de março: Lucinéia Bozi da Silva Amorim, do Porto de Paranaguá (PR); Bárbara Laudano, da Intermarítima Portos e Logísticas (BA); e Raquel Ferreira Lopes Rodrigues, do Porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA).


A ABTP representa empresas que administram mais de 100 terminais portuários, localizados dentro ou fora dos portos organizados. 


Esses terminais, distribuídos em 11 Estados do país, são responsáveis por 14,5% do PIB e 70% da movimentação portuária nacional.


Para a Associação, as mulheres são parte fundamental desse sucesso.


Lucinéia Bozi da Silva Amorim: a primeira balanceira da Cotriguaçu (PR)


Aos 18 anos, Lucinéia Bozi da Silva Amorim foi chamada para um estágio em uma empresa da qual nunca havia ouvido falar, a Cotriguaçu Cooperativa Central.


Mas, infelizmente, soube que as vagas para o setor administrativo já tinham sido preenchidas. No entanto, havia uma para balanceiro, profissional que cuida da pesagem de caminhões e vagões nos portos.


Mas foi avisada que a vaga era para ser preenchida por um homem, já que o trabalho não era indicado para uma mulher.


Porém, disposta a conseguir seu primeiro estágio, tanto insistiu que foi aceita para a vaga. Foi, assim, a primeira mulher a trabalhar como balanceira no terminal próprio da Cotriguaçu, situado no porto de Paranaguá (PR).


A determinação de Lucinéia é emblemática. Depois que a companhia constatou que foi um grande acerto contratar uma mulher para as funções na balança, apenas mulheres passaram a ser contratadas para este serviço, diz ela.


O primeiro estágio virou primeiro emprego, que dura até hoje. Seu talento falou mais alto, foi contratada em definitivo e subiu na carreira, passando pelas áreas administrativa e de exportações, onde foi escolhida para substituir o antigo superior. 

Lucinéia Bozi da Silva Amorim


Está na Cotriguaçu há 23 anos, completados no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março. 


A menina, desbravadora na balança daquele terminal portuário, agora é encarregada de Logística da companhia, que opera em Paranaguá desde 1975.


Lucinéia lembra que quando participou da primeira reunião no porto, eram apenas ela e mais uma mulher em meio a muitos homens.

Ano após ano, mais mulheres foram contratadas e hoje há mais líderes femininas do que masculinas, conta.


Ela enfatiza que nunca enfrentou qualquer dificuldade ou tratamento diferenciado em função de gênero. Desde o início foi muito respeitada pelas equipes de trabalho e dirigentes.


Ser mulher portuária, para Lucinéia, é “gostar muito deste mundo portuário. É uma loucura, bem estressante. Mas é também apaixonante, desafiador. Você se entrega totalmente e é um caminho sem volta, muito promissor. Tenho muito orgulho desta profissão e deste setor”.



Bárbara Laudano: a primeira gestora de um porto na Bahia


Do exercício da advocacia, profissão que a fazia lidar diariamente com o direito público, Bárbara Laudano não imaginava que um dia estaria à frente da gestão de operações de um porto e completamente apaixonada pela profissão e pelas funções que exerce.


Há 2 anos como gerente de Operações Portuárias da Intermarítima Portos e Logística, no Porto de Aratu-Candeias (BA), anos antes, em 2016, a advogada foi chamada pela autoridade portuária, a Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), para assumir a gerência do porto em Ilhéus. 


Sua experiência, conhecimentos sobre o setor público, posicionamentos na área jurídica, leis e normas, a qualificaram para a função. E foi a primeira mulher a ser gestora da Codeba.

Bárbara Laudano


Bárbara conta que no início teve que se impor em algumas situações, em razão dessa situação de gênero, mas entende que foi uma fase de aceitação por parte das equipes. 


Ela diz que não teve dificuldades em avançar em sua nova carreira por ser mulher. 


Filha única em meio a 4 homens, ela diz saber lidar com o público masculino muito bem. 

Um porto, para ela, é “um ambiente natural para mim. Desde os primeiros dias”, diz.


Na gestão portuária ela diz que busca “sempre ter um olhar criativo e inovador, estimular a comunicação entre pessoas, engajar todos aos objetivos comuns da companhia, dar feedbacks para as equipes, demonstrar muita energia para a engrenagem funcionar melhor e quebrar qualquer cultura que possa criar dificuldades nos fluxos de trabalho”, declara.


Ser mulher portuária, para Bárbara, é motivo de “muito orgulho pelo que a gente entrega, de como somos úteis para desenvolver a logística que une o mundo. 


É uma imensa satisfação poder contribuir para a economia da Bahia, do país e do mundo a partir da atividade portuária. Nessa operação a gente se comunica com o mundo. É uma posição de muita importância”.


Sua paixão pelo setor portuário inspira sua filha de 14 anos a se interessar pela profissão de prática de navios. 


Ela também tem um filho de 8 anos, mas ele, diz a mãe orgulhosa, ainda não se decidiu pela profissão, embora adore tudo o que se relaciona a navios.



Raquel Ferreira Lopes Rodrigues: ser portuária era seu sonho de menina


Mineira da cidade de Timóteo, Raquel Ferreira Lopes Rodrigues é a gerente de Logística do Porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), da Alunorte. 


Desde criança já se imaginava trabalhando naquela companhia, inspirada por seu pai.


Entre os destaques ao longo de sua carreira está o período de 2 anos trabalhando embarcada para a Transpetro e sua participação ativa na montagem do departamento de logística do porto da Alunorte.


Depois teve uma passagem pela Alumar, em São Luiz (MA), e em 2016 retornou ao Porto de Vila do Conde, já como gerente de Logística.

Em sua trajetória profissional se deparou com um ambiente por demais masculinizado, desde a fase de formação educacional. 


Mas conta que superar essas adversidades é um desafio para o qual as mulheres não devem se deixar abater. 

Raquel Ferreira Lopes Rodrigues


Ela busca inspirar outras mulheres a seguir nas carreiras portuárias, relatando sua trajetória, e as estimula a acreditar que é possível vencer as dificuldades de gênero, se empregar no setor portuário, exercer a profissão, se desenvolver nas várias carreiras disponíveis.


À parte da profissão, Raquel diz que sempre encontra tempo para conciliar a vida profissional com a vida em família, constituída pelo marido e duas crianças. 


Nunca encarou esta conciliação como algo complexo ou inibidora de sua carreira profissional, faz questão de afirmar.


Assim, Raquel define o que é ser uma mulher portuária. “É, no meu caso, a realização de um sonho de infância. Sempre acreditei ser possível às mulheres vencerem nas carreiras nesse setor, marcado por ser historicamente masculinizado.


Para ser uma mulher atuante na área portuária é preciso ter energia, disponibilidade e vontade de aprender continuamente. 


É desempenhar suas funções com responsabilidade, consciente de que além de trabalhar pelo desenvolvimento da indústria portuária, todos nós desse setor estamos agindo para o progresso do país como um todo”.


Diário do Porto


Redação da Maré.

Anúncio




Páginas

Últimas notícias