A praga das algas verdes na Bretanha já custou 120 milhões de euros

> Publicado 27 maio - Leitura Read

As algas verdes estão a transformar a paisagem da Bretanha. Só em abril os mantos de algas aumentaram 30%, comparado com a média dos últimos 20 anos.


A praga das algas verdes na Bretanha já custou 120 milhões de euros

Na França, um relatório do Tribunal de Contas revela o fracasso de medidas ecológicas na luta contra as algas verdes na Bretanha. Desde 2010, foram criados projetos no valor de 120 milhões de euros, investimentos sem qualquer eficácia; um combate desesperante para os ecologistas.

Só no mês passado, em abril, os mantos de algas aumentaram 30%, comparado com a média dos últimos 20 anos.

As algas verdes estão a transformar a paisagem da Bretanha. O militante ecologista da Côtes-d"Armor, Yves Le Lay, conhece o presságio. Há décadas que o militante alerta para os perigos das algas. Oito baias bretãs estão a transformar-se no que ele chama de "maré verde".

"Nos últimos dez anos foram mobilizados 120 milhões de euros para acabar com estas algas. Primeiramente porque 120 milhões de euros é uma soma importante. É preciso saber que as marés verdes não são um problema novo, já existem há 50 anos e não é um problema nada saudável. Quando estão vivas, podem transmitir doenças bacterianas, consomem oxigênio e danificam a biodiversidade, mas quando morrem liberam tóxinas que podem matar homens e animais", aponta o militante ecologista.

Parte das algas que cobrem o areal da costa francesa são tóxicas. As algas não representam perigo quando estão vivas. O problema é quando morrem e entram em decomposição, quando entram no processo de decomposição liberam sulfeto de hidrogênio, um gás tóxico.

Apesar de terem sido lançados dois planos de luta contra as algas verdes, o problema continua por resolver há quase 50 anos. O problema das algas tóxicas na Bretanha tem-se vindo a agravar com as alterações climáticas.

Esta é a questão levantada pelo Tribunal de Contas num relatório que aponta a falta de eficácia da luta contra as algas. "O relatório do Tribunal de Contas, segundo as fugas de informações a que tivemos acesso - porque não o podemos consultar, uma vez que as regras institucionais impedem a publicação das conclusões de um relatório antes das eleições, o relatório evidencia que ação pública torna-se apática com a ausência de vontade política dos eleitos", descreve Yves Le Lay.

Um problema que nos últimos meses se instalou no debate político e nos programas dos candidatos às eleições regionais de junho.

Na Bretanha, as algas estão a invadir oito baías. Nestas zonas os produtores suínos e bovinos foram obrigados a reduzir as descargas de azoto, estas partículas que se transformam na água em nitrato, a principal causa das algas verdes.

O desafio para os produtores é limitar as fugas de azoto na água. O Tribunal de Contas alerta para falta de financiamento aos produtores e aponta que a fiscalização nas quintas agrícolas diminuiu 73% nos últimos dez anos.

Em declarações à TSF, Francisco Ferreira, dirigente da associação ambientalista Zero, diz que este é um problema que também existe em Portugal, que "continua a ser uma ameaça", e não tem sido feito o investimento necessário na qualidade da água das albufeiras.
Redação da Maré.

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