Anvisa quer medidas rigorosas nos portos e aeroportos

> Publicado 29 maio - Leitura Read

A preocupação com a entrada de viajantes no país aumentou depois da chegada da variante da Índia no país.

                                  
Anvisa quer medidas rigorosas nos portos e aeroportos

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quer barrar o desembarque de marinheiros em portos do país e promover quarentena a todos os passageiros de avião que tenham vindo da Índia ou de outros países com novas variantes da covid-19. 


O pedido de adição das medidas foi enviado hoje ao governo federal. 


A decisão de aceitar ou não as sugestões da agência cabe ao grupo interministerial composto pelos ministérios da Casa Civil, Justiça e Segurança Pública e Saúde.


A nova cepa já foi localizada em São Paulo, Minas Gerais e Maranhão.


Atualmente, marinheiros e funcionários que trabalham em aviões podem entrar e sair do Brasil caso estejam sem sintomas de covid-19 e apresentem um teste PCR negativo — é esse grupo que a Anvisa quer impedir de entrar no país. 


A medida é justificada porque a tripulação de um navio é composta por dezenas de pessoas de nacionalidades diferentes, explicou à reportagem o médico e pesquisador da covid-19 Carlos Magno Fortaleza. 

                                    
Anvisa quer medidas rigorosas nos portos e aeroportos

Os marinheiros brasileiros, por outro lado, chegariam ao Brasil e teriam de ficar quarentenados por 14 dias na cidade de desembarque, segundo a Anvisa. 


Já nos casos de viagens de avião, os protocolos adotados e suas atualizações são alvos de frequente debate todos os dias entre Anvisa, governo federal, estados e municípios. 


A agência quer que todo brasileiro que chegue ao Brasil vindo da Índia de avião faça uma quarentena de 14 dias em um ambiente preparado para isso, como hotéis. 


A mesma quarentena deve ser cumprida, conforme pede a agência, por pessoas com suspeitas de contaminação. 


A sugestão, no entanto, é complexa e passa por um alinhamento com estados e municípios, que debatem com a Anvisa a viabilidade de disponibilizar os espaços para o isolamento. 


Hoje em dia, viajantes estrangeiros que tenham passado ou saído do Reino Unido, África do Sul e Índia nos 14 dias anteriores ao embarque estão proibidos de entrar no Brasil.


A exceção é para brasileiros ou cônjuges de brasileiros que, nesses casos, são orientados a ficar de quarentena por 14 dias ao chegar no Brasil. 


A Anvisa ressalta em seus posicionamentos: "o controle de quarentena no território nacional não está sob o âmbito de competência da Anvisa, que tem atuação restrita aos ambientes de aeroportos, portos e recintos de fronteiras do país".


Pessoas que venham ao Brasil de outros países seguem as regras de apresentar um teste PCR negativo realizado nas últimas 72 horas, além da notificação em caso de sintomas da doença ao preencher a DSV (Declaração de Saúde do Viajante). 


A Anvisa afirma monitorar todas as escalas de voos para o Brasil junto à Polícia Federal e a Receita Federal.

                              
Anvisa quer medidas rigorosas nos portos e aeroportos

Na visão do médico e pesquisador do vírus da covid-19 Carlos Magno Fortaleza, da Unesp, as ações sugeridas pela agência são ineficientes e, se forem adotadas, ainda serão implementadas com atraso. 


"É tarde e é pouco. O que precisamos é mais simples e radical. É preciso fazer quarentena de 14 dias para todos os passageiros vindos do exterior ao Brasil, com exceção das viagens diplomáticas", afirma o médico, que realiza pesquisas epidemiológicas sobre o comportamento das variantes da Sars-Cov-2. 


Fortaleza ressalta que cobrar apenas um teste PCR negativo de estrangeiros ou viajantes não é suficiente. 


“Estamos falando isso há um século. A maior bobagem é acreditar num teste negativo. O RT PCR ou antígeno atinge boa acurácia quando tem 3 a 7 dias de sintomas. 


Quando a pessoa não tem sintomas, ele erra muito dando falsos negativos. Não basta confiar num teste feito na hora que a pessoa chega, tampouco no termômetro, aquilo é uma perfumaria".


Unesp


Redação da Maré.

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