A Bioinvasão e a extinção das espécies

> Publicado 23 maio - Leitura Read

O processo de bioinvasão se dá com a chegada de uma espécie “exótica”, ou seja, invasora, vinda de outro ecossistema. 

A Bioinvasão e a extinção das espécies


As espécies invasoras marinhas podem, sem dúvida, extinguir as espécies nativas. Normalmente são representadas por organismos de ciclo de vida rápido, podendo ser peixes ou invertebrados, com alguns apresentando reprodução assexuada e suportando uma variação considerável em parâmetros ambientais.


A inclusão deste novo organismo causa grandes perturbações. Como eles não têm predadores no novo ambiente, a proliferação ocorre muito rápido e a competição por alimento leva a extinção de populações de espécies nativas, o que empobrece a riqueza da biodiversidade e afeta o funcionamento de toda a comunidade. 


Em ecossistemas terrestres, que são amplamente estudados e acessíveis, esse processo é extremamente difícil de monitorar e remediar. 

A Bioinvasão e a extinção das espécies
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Tendo isso em mente, quando a bioinvasão ocorre no ambiente aquático, sobretudo nos oceanos, ela apresenta uma série de desafios adicionais.


Os ecossistemas marinhos são extremamente variados e, ainda assim, interligados. Pequenas mudanças de latitude, longitude e profundidade causam grandes alterações em fatores abióticos como salinidade, temperatura, pH, luminosidade, concentração de oxigênio e CO2 dissolvidos e matéria orgânica presente. 

                                  
A Bioinvasão e a extinção das espécies


Assim, fica definido que se uma espécie marinha atinge um local antes inacessível por sua própria capacidade motora, ela está potencialmente causando uma bioinvasão.


Bioinvasão mediada por elementos da natureza. 


Podemos citar aqui a ocorrência de desastres naturais, como tufões e tsunamis, como agentes propagadores de espécies invasoras. 

                                   
A Bioinvasão e a extinção das espécies

Além disso, as próprias correntes marinhas que circulam por todo o globo podem atuar como dispersores de espécies exóticas, carregando ovos e larvas para longe de seu local natural de ocorrência. 

                              
A Bioinvasão e a extinção das espécies

Um outro tipo de mecanismo dispersor são as balsas naturais. Estas nada mais são do que restos de estruturas vegetais ou animais que são deslocadas pela maré e carregam organismos aderidos capazes de sobreviver e povoar outros locais.


Bioinvasão mediada pela ação humana


O contínuo deslocamento de navios por todo o oceano é o principal mecanismo de dispersão de espécies exóticas.

 

Água de lastro

                                
A Bioinvasão e a extinção das espécies

Os grandes cargueiros transportam dentro de si toneladas de litros de água de um local para o outro, a chamada água de lastro, que é usada para balancear o peso do navio. 


A legislação de diversos países obriga os navios a liberar as águas de lastro longe de suas costas, mas ainda assim ela pode potencialmente transportar espécies invasoras.


Além disso, muitos organismos são capazes de sobreviver aderidos na estrutura externa dos navios, migrando milhares de quilômetros além de sua área de vida natural. 


Aquários

                             
A Bioinvasão e a extinção das espécies

Essa atividade pode levar espécies exóticas de um local para o outro e, acidental ou intencionalmente, estas podem ser liberadas nos corpos d’água.

 

Pesca

                            
A Bioinvasão e a extinção das espécies

Por fim, a própria pesca e a aquicultura podem representar riscos de bioinvasão quando dispersam organismos vivos usados como iscas em locais fora de sua zona de ocorrência ou quando criam em cultivos no mar aberto espécies exóticas importadas.


Mexilhão-dourado invade a costa brasileira

                              
A Bioinvasão e a extinção das espécies

A fim de exemplificar os efeitos de uma bioinvasão marinha, podemos citar a chegada do mexilhão-dourado vindo do sudeste asiático para o Brasil. 


Trazido pela água de lastro de navios cargueiros, esse invertebrado hoje ocorre em grandes extensões da costa brasileira, causando a exclusão e redução de espécies nativas de mexilhões e mariscos que possuíam grande valor econômico para as comunidades caiçaras.

 

Bioinvasão por plásticos e outros lixos 

 

Mexilhões japoneses, cracas e algas marinhas sobreviveram por seis anos em uma jornada pelo Oceano Pacífico e chegaram, não apenas vivos, mas prontos para se reproduzir nos EUA. 

 

A Bioinvasão e a extinção das espécies
Uma saga de seis anos à deriva até chegar no litoral dos EUA. Foto: nationalgeographic.com


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