Escoamento de safra é ameaçado por seca da hidrovia Tietê-Paraná

> Publicado 29 junho - Leitura Read

Gargalos em diferentes modais afetam competitividade da produção brasileira

                        
Escoamento de safra é ameaçado por seca da hidrovia Tietê-Paraná

A região Centro-Sul, a mais afetada pela seca deste ano, tem seu escoamento de safra pela hidrovia Tietê-Paraná ameaçado, visto que, as usinas hidrelétricas pressionam por redução do calado de embarcações ou até paralisação da hidrovia.


Por seus 1250 km de água navegáveis entre Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, são transportados pela hidrovia Tietê-Paraná 2,5 milhões de toneladas de grãos, principalmente soja e milho. 


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Além do preço mais alto na conta de luz, a queda no nível dos rios preocupa agricultores e transportadores. 


Além de exigir maior uso da irrigação, o quadro ameaça o sistema hidroviário de transporte de cargas.


Mas o nível dos rios está muito baixo e, como a época das chuvas já acabou, o setor depende agora da gestão das águas para saber se poderá usar a hidrovia normalmente.


Se as hidrelétricas baixarem o nível da água para as hidrovias, sobra um problema para o transporte fluvial, além de pressionar os outros dois principais modais utilizados no Brasil: o ferroviário (por trilho) e o rodoviário (por caminhão).


O valor do frete rodoviário já aumentou em função da concentração de colheita da última safra e pode subir ainda mais com o aumento da demanda.


E o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, sugeriu na terça-feira (15) a redução do calado ou até a paralisação da hidrovia Tietê-Paraná a partir de 1 de julho, durante audiência pública na Câmara dos Deputados.


Produtores de Mato Grosso recordam que, em 2020, houve uma redução de 26% no frete rodoviário em relação a 2019, justificada pela pavimentação do trecho da BR-163 que liga o território mato-grossense ao Pará. 


Essa obra deu novas opções de escoamento ao agronegócio, ao explorar mais o chamado Arco Norte — portos brasileiros localizados acima do paralelo 16.


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Neste ano, eles observaram, porém, que, desses 26% de baixa ante 2019, 10% já se perderam por causa do estresse logístico e estão preocupados com essa história de hidrovia parada — uma alternativa a menos de transporte.


O modal hidroviário, além de mais barato frente ao ferroviário e ao rodoviários, é o mais sustentável. 


É menos poluente. Já os modais ferroviários e rodoviários são os mais caros e usados no Brasil.


O principal temor do setor não é em relação ao preço, e sim sobre a gestão das águas. 


Com medidas para favorecer as hidrelétricas, em detrimento das hidrovias, as poucas empresas no Brasil que atuam no transporte hidroviário podem se sentir desestimuladas. 


Sem água, não há como transportar, o que põe em risco o sustento e o emprego de muita gente que atua nesse segmento.


Como disse o geógrafo e professor da USP, Luis Antônio Bittar, “a crise é da gestão, do gerenciamento, nunca da água”.


O governo precisa saber gerir bem os recursos que tem. 


A diminuição dos volumes de precipitação é de conhecimento geral há algum tempo e poderia ser antecipada. 


Redação da Maré.

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