Rússia ameaça bombardear navios britânicos que invadirem 'suas águas'

> Publicado 24 junho - Leitura Read

navio sendo avistado de um avião na costa do mar negro
Foto: Ministério da Defesa da Rússia / Reprodução


 Tensão na Costa do Mar Negro - Após tiro de advertência, Rússia ameaça bombardear navios britânicos e convoca embaixadora


A Rússia convocou para uma reunião a embaixadora do Reino Unido em Moscou e alertou Londres de que, se embarcações de guerra britânicas voltarem a navegar na costa da Crimeia, no Mar Negro, em águas sobre as quais o Kremlin reivindica soberania, serão bombardeadas.


"Podemos apelar ao bom senso, exigir respeito ao direito internacional e, se isso não funcionar, podemos bombardear ", disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, a agências de notícias russas.


Segundo o Ministério de Defesa russo, na quarta-feira o contratorpedeiro britânico HMS Defender adentrou águas da Península da Crimeia por três quilômetros, navegando em uma área anexada pela Rússia em 2014 após um referendo com a população local não reconhecido por potências ocidentais.


O governo russo disse ter feito disparos de alerta contra o navio.


O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que a anexação da Crimeia “foi ilegal” e que as águas são ucranianas, de modo que a travessia naval foi “totalmente correta”.


"Não reconhecemos a anexação da Crimeia, foi ilegal. São águas ucranianas, e foi totalmente correto utilizá-las para ir do ponto A ao ponto B", disse Boris, ao ser perguntado pela televisão britânica.


Na quarta-feira, as Forças Armadas britânicas afirmaram que o navio estava


"fazendo uma passagem inocente por águas territoriais ucranianas, de acordo com o direito internacional".


E negaram que disparos de alerta tivessem sido feitos pela Rússia, alegando que forças russas realizavam "exercícios de tiro" na hora da travessia.


Em Moscou, nesta quinta-feira, o governo russo convocou a embaixadora Deborah Bronnert para “protestar fortemente” contra o que considerou uma ação "perigosa" do Reino Unido no Mar Negro.


Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que


"no caso de uma repetição de tais provocações, toda a responsabilidade por suas possíveis consequências recairá inteiramente sobre o lado britânico".


A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, também acusou Londres de "mentiras descaradas".


O Mar Negro, que Moscou considera estratégico para projetar poder no Mediterrâneo, tem sido durante séculos um ponto de conflito entre a Rússia e países rivais como Turquia, França, Reino Unido e Estados Unidos.


Os países ocidentais consideram a anexação da Crimeia - primeiro militarmente e seguida por um referendo organizado pelo Kremlin - uma violação das leis internacionais.


O ministro da Defesa britânico, Ben Wallace, acusou os pilotos russos de realizarem manobras inseguras de aeronaves cerca de 150m acima do navio de guerra.


"A Marinha Real sempre respeitará o direito e não aceitará interferências ilegais em passagens inocentes" disse Wallace.


De acordo com o direito internacional do mar, a passagem inocente permite que um navio passe pelas águas territoriais de outro Estado, desde que isso não afete sua segurança.


O secretário de Relações Exteriores, Dominic Raab, chamou a versão russa dos eventos de "previsivelmente imprecisa".


Repórteres para a BBC e do Daily Mail que estavam no navio no momento do incidente descreveram uma cena tensa durante a qual a tripulação vestiu equipamentos de proteção e navios russos chegaram a uma distância entre 100 e 200 metros.


Em imagens da BBC, pode-se ouvir um alerta da Guarda Costeira russa  de que o navio britânico seria alvo de disparos se não mudasse de curso.


"Se vocês não mudarem o curso, eu atiro", disse uma voz russa com forte sotaque em inglês ao navio britânico.


A BBC disse que tiros foram disparados e que cerca de 20 aeronaves russas estavam "zunindo" sobre o navio britânico.


O contratorpedeiro britânico visitou o porto ucraniano de Odessa nesta semana, onde foi assinado um acordo com o Reino Unido para ajudar a atualizar a Marinha da Ucrânia.


Os laços entre Londres e Moscou estão congelados desde o envenenamento do ex-agente duplo Sergei Skripal em 2018 com um agente nervoso desenvolvido pela União Soviética conhecido como Novichok.


Skripal traiu centenas de agentes russos para o serviço de espionagem estrangeira do Reino Unido, o MI6.


Com informações de O Globo


Redação da Maré.

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