JBS compra milho da Argentina para suprir demanda de insumo para ração

> Publicado 26 julho - Leitura Read

A quebra na safra de milho do Brasil tem levado a indústria de carnes a recorrer ao cereal importado.

                     
JBS compra milho da Argentina para suprir demanda do insumo para ração


A JBS, segunda maior empresa de alimentos no mundo, já adquiriu 30 navios de milho do país vizinho, Argentina, para suprir sua demanda pelo insumo para ração. 


As negociações ocorreram diante de valores de 15 a 20 reais por saca de 60 kg mais competitivos que os do mercado interno -considerando as indústrias localizadas nas regiões Sul e Sudeste- de acordo com a companhia.


"Do total de milho utilizado para alimentação de aves e suínos na produção da JBS/Seara no Brasil, a importação já representa 25% do consumo, com volumes superiores a um milhão de toneladas", afirmou em nota, sem detalhar as datas de chegada e os volumes exatos do cereal importado. 


Além disso, a empresa disse que "a excelente safra na Argentina" é o que tem dado oportunidade para importação com preços mais atrativos.


O plantio atrasado e em grande parte fora da janela ideal para a segunda safra de milho 2020/21 afetou o desenvolvimento das lavouras nos principais Estados produtores do Brasil, que ainda atravessaram uma seca e, mais recentemente, geadas.


Para a JBS, o país deixará de embarcar 15 milhões de toneladas do cereal neste ano e deverá importar pelo menos 4 milhões.


"Com a boa oferta de milho da Argentina a preços mais competitivos, acreditamos que é questão de tempo para que o mercado doméstico equalize os seus preços com o mercado de importação", disse a empresa.


"Continuaremos buscando as melhores alternativas de mercado para assegurar a competitividade da companhia", acrescentou no comunicado o diretor de commodities da Seara, Arene Trevisan.


Outros compradores:

A Aurora Alimentos disse em nota que planeja importar milho da Argentina e dos Estados Unidos ainda este ano em face da escassez desse grão no mercado interno e dos elevadíssimos preços de comercialização.


O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que as companhias do setor estão intensificando as compras de milho argentino e no Nordeste negociam para trazer o cereal norte-americano.


"Daqui para frente, deve ser cada vez mais presente a importação de milho da Argentina", disse ele, sem revelar quais são as empresas compradoras.


Em junho, começaram a desembarcar no Brasil as primeiras cargas do cereal argentino compradas neste ano, que somaram cerca de 95 mil toneladas, de acordo com dados do Ministério da Agricultura.


Conforme o ministério, o Brasil importou ao todo no primeiro semestre 937 mil toneladas de milho, o dobro do verificado no mesmo período do ano passado. 


O maior volume veio do Paraguai (841 mil toneladas), em carregamentos que chegam em geral por rodovias.


A importação é uma das alternativas do Brasil, tradicionalmente um dos maiores exportadores globais, para lidar com uma redução na produção de milho que já chega a 9% ante a safra passada, para 93,4 milhões de toneladas, segundo números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgados neste mês.


Ao final de junho, geadas atingiram importantes áreas produtoras, como Paraná e Mato Grosso do Sul, derrubando mais a produção, o que pode ajudar a explicar as novas compras externas.


As cotações, que chegaram a cair com a entrada da segunda safra, passaram a subir no Brasil, descolando do mercado de Chicago em julho. 


Na última sexta-feira, o indicador do milho Esalq/B3 atingiu 99,99 reais por saca, alta de 11,63% na variação mensal e o dobro ante os 48,83 reais por saca vistos um ano antes.


Fonte: Reuters


Redação da Maré.

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