Onça-pintada e filhote são vistos na Serra do Mar paranaense

> Publicado 17 julho - Leitura Read

As imagens, gravadas em janeiro e divulgadas esta semana, indicam que o habitat desse animal está recuperando as condições para sobrevivência e reprodução da espécie, dizem os pesquisadores.


Onça-pintada e filhote são vistos na Serra do Mar paranaense

 

O flagrante de uma onça pintada e seu filhote na região da Serra do Mar paranaense chamou a atenção dos pesquisadores do Paraná. 


O registro, feito por meio de uma armadilha fotográfica, é resultado de um monitoramento em 17 mil quilômetros quadrados (km²) de Mata Atlântica entre os estados de São Paulo e Paraná. 


A área, 11 vezes o tamanho da cidade de São Paulo, integra a Grande Reserva Mata Atlântica, o maior remanescente contínuo do bioma no Brasil.


O trabalho faz parte do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, que tem o apoio da Fundação Grupo Boticário. 


O programa, lançado oficialmente em novembro do ano passado, tem o objetivo de gerar dados para subsidiar planos de conservação da anta (Tapirus terrestris), da queixada (Tayassu pecari), além da onça-pintada (Panthera onca).


“A gente tem uma rede de apoio de monitoramento, com atores que vivem na região. O registro foi de um dos nossos atores que monitora a unidade de conservação. 

 

Dentro desse monitoramento apareceu essa fêmea com o filhote, o que mostra que a região é adequada para a ocorrência da onça. Também é um sinal de que o bicho está se reproduzindo na região e isso é um bom indicativo para a conservação da espécie”, disse à Agência Brasil o biólogo Roberto Fusco.


Fusco é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e também responsável técnico do programa. 


Segundo o especialista, o monitoramento de espécies ameaçadas gera informações para planejamento de conservação e ajuda a criar estratégias mais efetivas para proteção e recuperação das populações desses animais.


O biólogo também destaca que esse tipo de atividade é importante para apoiar tomadores de decisão nas ações de proteção e manejo a nível territorial em um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do país.


Onça-pintada

 

Pesando entre 60 e 160 quilos, a onça-pintada é uma das espécies-símbolo do Brasil, ilustrando, inclusive, a cédula de 50 reais. Apesar disso, a espécie, que é o maior felino das Américas e o terceiro do mundo, corre sério risco de desaparecer na Mata Atlântica, por já ter perdido 85% de seu habitat. 


Estima-se que atualmente o número seja inferior a 300 indivíduos


O biólogo lembra que as armadilhas fotográficas colocadas em campo já haviam registrado fêmeas da espécie, mas que até o registro feito no início do ano, os pesquisadores não tinham informações sobre a capacidade de reprodução da espécie na região.


A primeira vez que se fez um registro como este no litoral do Paraná foi em Julho de 2018 quando foi flagrado um casal de onça pintada na área de proteção ambiental em Guaraqueçaba.


“Até então a gente tinha registrado fêmeas e, com esse registro da mãe e do filhote, a gente confirmou que a espécie está se reproduzindo”, relatou Fusco. 


Segundo o especialista, o filhote aparenta ser um pouco mais velho. “Em geral, os filhotes ficam dois anos com a mãe e depois desse período de tempo ele já pode se estabelecer um território para se reproduzir”, disse.


Fusco lembra que para que isso ocorra é necessário a preservação da Mata Atlântica. Mamíferos de grande porte como a onça, o porco-do-mato, a anta, o veado e a capivara, entre outros, sofrem com a perda de habitat e pressão de caça.


“Grandes mamíferos necessitam de áreas extensas para sobreviver, são extremamente vulneráveis à perda de habitat e à pressão da caça, sendo os primeiros a desaparecer”, explicou.


O especialista lembra ainda que a manutenção dessas espécies é fundamental para o equilíbrio ambiental. Mamíferos carnívoros, como a onça-pintada, por estarem no topo da pirâmide alimentar, são essenciais no controle e equilíbrio de populações de outros animais que fazem parte da sua dieta, influenciando diretamente em toda dinâmica do ecossistema.


“São animais que precisam de um território bem grande. Eles podem se movimentar por quilômetros, a gente já registrou um mesmo indivíduo distante 35 km em linha reta e isso justifica a importância de conservar todo o corredor para ele poder transitar”, observou.


Já mamíferos herbívoros, como a anta e a queixada, são essenciais para a manutenção da floresta, por serem dispersores de sementes. Tais espécies são responsáveis pela dispersão de mais de 100 tipos de sementes, por extensão de cerca de 40 quilômetros, diariamente.


“Teoricamente é uma área que tem uma floresta contínua, mas tem problemas com a caça, exploração de palmito e a questão dos imóveis, a especulação imobiliária. A longo prazo, não seria exagero dizer que a viabilidade da floresta corre um grande risco”, alerta o pesquisador.


Entre as consequências que podem ocorrer sem o equilíbrio e a preservação dos animais estão a perda de diversidade vegetal, introdução de espécies invasoras, perda de atividades econômicas como o turismo, além de outras imprevisíveis.


“A perda dessa biodiversidade de animais vai acarretar um monte de outros problemas até imprevisíveis, como novas doenças, perda de qualidade de água para o abastecimento das populações, entrada de espécies invasoras, perda de atividades como o turismo que gera renda, fora a liberação de carbono com a perda da floresta”, alertou Fusco.


Da Agência Brasil


Redação da Maré.

Anúncio






Últimas notícias