Falta de contêineres limitam exportações do agronegócio brasileiro

> Publicado 27 agosto - Leitura Read

Embora o país esteja batendo recordes de vendas ao exterior, a conclusão do setor é de que os números poderiam ser melhores. 

                         
Falta de contêineres limitam exportações do agronegócio brasileiro

      

 

O cenário global de escassez de navios e contêineres e a disparada dos fretes marítimos limitam as exportações do agronegócio brasileiro e deixam a sensação de oportunidade perdida. 


“É complicado falar em ‘aperto logístico’ ou reclamar quando estamos batendo recordes. 


Mas o que a gente vê é que poderia, sim, ser bem melhor, e isso significaria também mais divisas para o país”, afirma Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que representa empresas como BRF, Seara (JBS) e Aurora.


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Em julho, as exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$11,3 bilhões, 15,8% mais que no mesmo mês de 2020 - os embarques nunca haviam superado US$10 bilhões em julho. 


Mas esse crescimento refletiu sobretudo o aumento de preços dos produtos exportados, já que os volumes caíram 9,9%.


Estimativa do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) aponta que, entre maio e julho, o segmento deixou de embarcar, por causa do problema logístico, cerca de 3 milhões de sacas, ou US$445 milhões (considerando valores médios). 


“Em abril, a taxa de rolagem [adiamento] dos embarques era de 20%. Em julho, foi para 40%, e agora, em agosto, estamos perto de 50%”, afirma o diretor técnico da associação, Eduardo Heron Santos.


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Na área de carnes, a situação não é diferente. 


Em seus balanços do segundo trimestre, JBS e Marfrig relataram um pouco do reflexo do problema logístico. 


Na Marfrig, a escassez de contêineres atrasou exportações e tirou 2 pontos percentuais de seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), com aumento dos estoques de R$700 milhões.


Já a JBS relatou um impacto de R$3 bilhões provocado pelo aumento de estoques, um efeito colateral do apagão de contêineres. 


Se não fosse isso, seu lucro trimestral de R$4,4 bilhões poderia ter sido ainda melhor, afirmou a empresa ao Pipeline, site de negócios do Valor.


“Num momento propício para mais vendas, temos esse limitante”, reforça Antônio Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).


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Para a sucroalcooleira Jalles Machado, o transtorno deverá ser de curto prazo. 


Em conversa com investidores, o CFO Rodrigo Siqueira disse que a falta de contêineres afetou os embarques de açúcar orgânico da empresa para os EUA entre abril e junho, e que o gargalo deverá perdurar até setembro.


Ele observou, ainda, que os fretes marítimos aumentaram cerca de cinco vezes no período - mas que, ainda assim, essa deve ser uma “questão pontual” no resultado da empresa.


A sombra paira também sobre o exportador do arroz. 


O alto custo dos fretes e a falta de contêineres fizeram o preço médio do transporte marítimo subir 217% em agosto na comparação com maio, com picos de até 450%, de acordo com levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz). 


Segundo a entidade, esse cenário gerou perdas de R$36,4 milhões para o segmento no primeiro semestre deste ano.


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Para a segunda metade de 2021, a perspectiva não é muito melhor, afirma a Maersk, maior armadora de contêineres do planeta. 


Ao Valor, a empresa disse que fechamentos de portos na Ásia por conta da pandemia (como o de Ningbo, na China) prejudicaram a produtividade do serviço logístico.


Além disso, a recuperação econômica nos EUA e na Europa tem aumentado a demanda por navios e, consequentemente, também a busca por contêineres. 


“Temos um congestionamento logístico no comércio marítimo global que deve durar até 2022. Com isso, os fretes e congestionamentos devem se manter neste segundo semestre”, acrescenta, em nota.


Arnaldo Calbucci, vice-presidente de operações da empresa de logística portuária Wilson Sons, lembra que além da dificuldade nos embarques há também atrasos na importação de itens importantes para o produtor rural, como os fertilizantes.


Fonte: Valor Econômico


Redação da Maré.

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