Projeto de dois portos em Arroio do Sal gera expectativa entre os moradores

> Publicado 02 agosto - Leitura Read

Município poderá ser peça-chave para as empresas da Serra Gaúcha que trabalham com exportação

                              
Projeto de dois portos em Arroio do Sal gera expectativa entre os moradores
  

Dois projetos de portos estão quase saindo do papel e geram grande expectativa entre os moradores de Arroio do Sal, no Rio Grande do Sul: o Meridional e o Litoral Norte. A distância entre esses dois locais não ultrapassa cinco quilômetros, mas os dois empreendimentos estão gerando muita especulação.

Os terrenos no município do Litoral Norte estão sofrendo forte valorização. O preço médio do hectare saiu de uma média próxima dos R$40 mil para R$200 mil. Empresas estão interessadas em se aproximar desses portos.


“Claro que tem muita especulação. Mas muitas empresas consistentes, até da Serra, nos procuram para pegar informações e nós levamos para visitar as áreas” relata Affonso Flávio Angst, o Bolão, prefeito de Arroio do Sal.


Com tamanhos parecidos, o município catarinense, Itapoá, também recebeu equipamentos portuários e viu dobrar o número de moradores, como também disparar o faturamento anual – de R$30 milhões para R$130 milhões. 


Nesse momento, segundo estimativa do IBGE, Arroio do Sal tem pouco mais de 10 mil habitantes. Mas, segundo Bolão, já se tem 15 mil cartões SUS no município. 


Considerando isso, a perspectiva indica que dobrará no número de habitantes caso os dois portos realmente sejam construídos.


“Nós vamos querer a questão compensatória. O que essas empresas vão oferecer em troca dos portos? O município vai trabalhar na questão ambiental, e o que teremos em contrapartida para essas áreas que irão ter impactos? Em cima do novo Plano Diretor, vamos criar situações para definir as melhorias aqui” explica Luiz Carlos Schmitt, secretário municipal do Meio Ambiente.


Há muitas dúvidas para serem sanadas. Os dois empreendimentos estão com projetos bem encaminhados, mas ainda dependem de muitas liberações, e todas são nas esferas federais. 


Por isso, há cautela, visto que o município não irá arbitrar em quase nada.


O novo Plano Diretor está sendo adaptado para receber esse tipo de empreendimento, mas a primeira certeza é de que os caminhões pesados não irão transitar no município. 


O segundo ponto é que esses dois equipamentos não irão impossibilitar o uso das faixas de areia das praias de Rondinha, exceto, é lógico, nas pistas e trechos que conduzirão até a área portuária que deverá ficar a cerca de 2,5 quilômetros da costa.


A construção de um porto no Litoral Norte é cogitada desde 1826, ainda durante o Império de D. Pedro I. No entanto, como a economia do Sul era baseada no charque, o porto foi para o Rio Grande. 


Passados quase 200 anos, Arroio do Sal entrou no foco do MobiCaxias e ressurgiu a ideia de implantar esse equipamento mais próximo da Serra. 


Para executar e montar o projeto, a DTA Engenharia foi contatada e começou a viabilizar essa ideia.


“Fomos consultados há um ano pelo grupo empreendedor no sentido de fazer os estudos para verificar a viabilidade. 


Os primeiros foram favoráveis, e agora aprimoramos para apresentar o plano de negócios” explica João Acácio Gomes de Oliveira Neto, presidente da DTA.


O projeto será apresentado até o próximo dia 13, já com a garantia de viabilidade técnica. 


Esse equipamento será independente do município de Arroio do Sal, com acesso direto pela BR-101 através de uma ponte estaiada sobre a Lagoa de Itapeva. 


Ao lado da Estrada do Mar, ficará a retroárea para o armazenamento dos produtos e contêineres. Eles serão deslocados ao porto por viadutos e esteiras, sem impactar na rodovia estadual. 


A área portuária propriamente dita estará a 2,5 quilômetros da beira-mar.


“Identificamos boas profundidades perto da costa, medição concluída após uma radiografia do solo abaixo da água para verificar qualquer formação que fosse inviabilizar a bacia de atracação do porto. 


Ele vai operar com 17 metros, o que permite trabalhar com a classe de navios New Panamax, que são aqueles que operam no Canal do Panamá. Permite atracar os grandes navios mercantes do mundo” complementa João Acácio.


O investimento será todo privado e girará em torno de R$5 bilhões. A expectativa da DTA Engenharia é que o empreendimento entre em operação dois anos após o início das obras.


Estrutura para receber os maiores navios do planeta

O segundo porto a ser construído em Arroio do Sal é no balneário de Arroio Seco, que fica mais próximo da praia de Paraíso. 


O projeto já tem assegurado o investimento estrangeiro na ordem de R$5 bilhões e CNPJ registrado como Porto Litoral Norte SA, além de escritório próprio em Torres.


Sócio da Doha Investimentos e responsável por este projeto, o engenheiro Anderson César Leobino, 42 anos, afirma que tudo está se encaminhando dentro do esperado. 


Era para a obra ter iniciado, mas ele ainda mantém cautela até finalizar todas as autorizações. A intenção é iniciar a construção do porto sem nenhum empecilho ou necessidade de alterações do plano durante a execução.


“A parte técnica precisa ser resolvida. São “n” órgãos para autorizarem esse tipo de empreendimento, temos a Marinha, Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), meio ambiente, Ministério Público, Fepam. Eu não quero errar. Entre o início e a realização do projeto, é uma escala muito grande para vencer” explica Leobino.


O projeto da Litoral Norte SA prevê 150 hectares de área construída, uma ponte de acesso pela BR-101 e, na beira da Lagoa de Itapeva, um condomínio industrial, além das docas para armazenar produtos e contêineres. 


A ligação ao pátio do porto também será por um viaduto sobre a Estrada do Mar. 


O que diferencia esse projeto é a profundidade em que irá trabalhar, de 30 metros. Com isso, é possível trabalhar com os maiores navios do mundo, como o ChinaMax, capazes de transportar até 23.410 contêineres. 


Navios de passageiros terão lugar, assim como uma alfândega para os passageiros estrangeiros.


O Porto Litoral Norte SA é o menos comentado, o Mobi Caxias considera e apenas trabalha com a expectativa do Meridional. 


A concepção do projeto parte da Doha Investimentos. Leobino e o sócio montaram o plano macroeconômico e foram visitar investidores europeus, onde Leobino fez carreira como engenheiro. 


Com o valor do investimento assegurado, ele partiu para a instância federal de aprovação do projeto. A ideia é que tudo comece até a metade de 2022. Sobre a concorrência próxima, ele é taxativo:


“Em Santa Catarina, só na foz do Rio Itajaí tem sete (portos). Eu vejo pelo lado de que vamos brigar pelo Estado, aumentar a receita e o emprego. O investimento está garantido e assinado.”


Redação da Maré.

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