Crise logística deixa 40% das cargas de carnes suína e frango paradas nos portos

> Publicado 30 setembro - Leitura Read

Deflagrada durante a pandemia, a crise continua a preocupar o setor, que espera ajuda do governo para mitigar o problema.

                                 
Crise logística deixa 40% das cargas de carnes suína e frango paradas nos portos


 

A crise logística mundial está deixando 40% das cargas brasileiras de carne suína e de frango paradas nos portos do país. Provocada pela ruptura no fluxo de comércio internacional durante a pandemia, a crise vem gerando alteração na rota de navios e redução na disponibilidade de contêineres.


A informação foi divulgada na quarta-feira (29) pelo coordenador do Grupo de Logística da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), José Perboyre, durante coletiva de imprensa realizada pela entidade que representa o setor.


“Para ser bem conservador, 40% das nossas carnes estão paradas hoje nos nossos portos. Tem fretes pra Ásia que levam oitenta dias para chegar lá e às vezes um contêiner chega a ficar 25 dias parado”, relatou Perboyre.


De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a associação entregou uma carta assinada com outras entidades representativas solicitando medidas emergências por parte do Governo Federal. 


O objetivo, segundo ele, é criar centros logísticos nos portos com maior capacidade de dragagem e calado no país.


“Têm poucas soluções de curto prazo, uma delas é a BR do Mar. Ela ajuda quando tiver cabotagem”, destaca Santin ao mencionar o projeto de lei 4.199 enviado pelo Executivo ao legislativo no ano passado e aprovado pela Câmara em dezembro. 


Caso aprovada, a lei passará a permitir a liberação progressiva de empresas estrangeiras em operações de navegação na costa do Brasil – atividade que, hoje, é restrita a companhias nacionais.


A mudança, explica Perboyre, permitirá remanejar as cargas de portos menores para outros mais modernos e com capacidade para receber embarcações maiores. 


“Houve, ao longo do tempo, um crescimento na capacidade dos navios – que hoje chegam a levar até 15 mil contêineres. Mas não temos portos com calado para recebê-los. 


É um ou outro que pode receber é um dos pedidos objetivos que estamos fazendo para o governo é que a legislação permita tirar a carga de um porto que não tenha essa capacidade e levar a um porto maior”, explica Perboyre. 


Ele estima que a medida aumentaria de 35% a 40% a capacidade de exportação do país.


“O Brasil deve crescer 41% no fornecimento de alimentos como um todo. Só no caso de aves e suínos, essa previsão é de 7,5 milhões de toneladas se olharmos linearmente. 


Então precisamos, sim, olhar para as condições logísticas para poder escoar essa produção, já que o mundo vai querer que o Brasil consiga produzir mais para ajudar na segurança alimentar deles”, completou Santin.

 

Redação da Maré.

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