Dragão-azul é avistado no litoral de São Paulo

> Publicado 19 setembro - Leitura Read

Apesar do seu binômio (Glaucus atlanticus), o Dragão-azul ocorre nas regiões temperadas e tropicais de todos os oceanos do mundo.

                          
Dragão-azul é avistado no litoral de São Paulo


 

Há uma semana, um dragão azul foi flagrado em uma praia de Bertioga, no litoral de São Paulo, e chamou a atenção de uma moradora.


Nos períodos de ventos mais fortes esses animais costumam ser “empurrados” para regiões mais rasas onde nessas ocasiões podem ser observadas em pequenos grupos ou mesmo solitários, alguns inclusive acabam mortos na areia da praia ou temporariamente presas às poças de maré.


Em imagens divulgadas nas redes sociais, o animal apareceu encalhado em uma faixa de areia da praia de Riviera de São Lourenço. 


À primeira vista, a moradora chegou a pensar que fosse um pedaço de plástico, mas logo percebeu que se tratava de um ser vivo. 


“Quando eu cheguei perto e vi que aquilo se mexia, a minha primeira reação foi verificar se a onda estava chegando para levar embora”, explica. 


Antes do animal ser levado, ela registrou o momento e enviou ao filho, que explicou que se tratava de um dragão azul.


A mestranda pelo Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) em Sistemática, Taxonomia Animal e Biodiversidade, Gemany Caetano, explicou que o animal não é raro, mas que sua aparição é, apesar dele ser encontrado em mares tropicais como o do Brasil, Austrália e de países do continente africano.


“Ele não apresenta muita mobilidade e também não apresenta natação ativa. Quando encalha, se a maré não alcançá-lo para levá-lo de volta, ele acaba morrendo ali”, afirma.


Ainda segundo a mestranda, por ser pequeno ele pode ser pisoteado na praia, ou até mesmo ficar camuflado em meio ao lixo. “Ele é muito frágil, pequeno e sensível. Por isso, é importante que não seja tocado”, diz. 


“As caravelas das quais o dragão azul se alimenta possuem estruturas urticantes que são capturadas pelo nudibrânquio e utilizados para sua defesa. 


Caso as pessoas o encontrem, o ideal é que não toquem no animal, a fim de evitar qualquer acidente. É um animal que merece ser admirado”, finaliza.


A maior parte do tempo o Dragão-azul passa flutuando de ventre para cima, a posição normal dele é flutuando de cabeça para baixo, graças à uma bolsa de gás presente em seu estômago e quando avista alguma presa usa os apêndices para se deslocar.

                                    
Dragão-azul é avistado no litoral de São Paulo

 

A alimentação do Dragão-azul é baseada inclusive em animais maiores que ele, especialmente alguns cnidários pelágicos flutuantes como a Caravela-portuguesa (Physalia physalis), algumas espécies de moluscos nectônicos como o Caracol-flutuante (Janthina janthina), entre outros animais pelágicos, podendo inclusive praticar o canibalismo e se alimentar de outros exemplares da sua mesma espécie.


Um fato interessante é que ao ingerir a Caravela-portuguesa ou outros cnidários flutuantes o Dragão-azul armazena as toxinas para o seu próprio uso. 

 


Dragão-azul é avistado no litoral de São Paulo
Caravela-portuguesa (Physalia physalis)
 

Esta toxina é armazenada em sacos especiais na ponta de cada um dos dedos dos seus apêndices e devido sua concentração esta toxina armazenada pode se tornar ainda maior e mais potente que nas próprias Caravelas-portuguesas.

                                

Apesar do Dragão-azul ter a capacidade de estocar e potencializar a toxina das Caravelas-portuguesas, devido ao seu tamanho, a quantidade estocada não é suficiente para causar grandes danos aos seres humanos.


Redação da Maré.

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