Portoguara - Um novo porto será construído em 2022 em Paranaguá

> Publicado 27 setembro - Leitura Read

O porto privado terá a maior estrutura ferroviária conectada a um complexo portuário multicargas da América Latina. 

                               
Portoguara - Um novo porto será construído em 2022 em Paranaguá

                               

 

O Portoguara - Terminal de Uso Privado (TUP), deve começar a ser construído em julho de 2022 e iniciar as operações, em sua primeira fase, em 2025, com granéis sólidos na importação e exportação.


Segundo a presidente da Portoguara Infraestrutura SPE (Sociedade de Propósito Específico), o novo porto é orçado em R$4,1 bilhões. 


“Em dezembro devemos ter a licença prévia. Depois disso, faremos o road show para a apresentação do projeto a investidores”.


Os acionistas que detêm o ativo (o terreno) já vêm trabalhando no projeto desde 2015. 


“Será um porto complementar ao porto de Paranaguá”, diz Xenia Arnt. 


Xenia, economista com larga experiência em logística e no setor portuário, que já atuou na área de planejamento do Porto de Paranaguá, destaca que o Portoguara chega para atender a um mercado crescente.


“Dados do USDA (o departamento de agricultura dos EUA) apontam para um crescimento nas importações de grãos por parte da China na ordem de 30% até 2030. 


É o Brasil que tem condições de ser este fornecedor e é de Paranaguá que grande parte desse produto sairá com destino ao mercado asiático”, pontua.


À frente do empreendimento estão o grupos: 

  • Novo Oriente Participações, formado pelas empresas Morro Chato Agropecuária (commodities agrícolas), Martini Meat (armazenagem de cargas frigorificadas) e Ritmo (soluções logísticas); 

  • FAR, formado pelas empresas La Violetera (alimentos) e  Incorporadora Laguna (empreendimentos imobiliários).


Luiz Henrique Tessuti Dividino, que foi superintendente do Porto de Paranaguá por seis anos, de 2011 a 2017, e tem mais de 30 anos de experiência no setor, está à frente do projeto como consultor técnico, uma autoridade na área portuária.


O Portoguara foi projetado como complexo logístico rodoferroviário integrado a um complexo portuário”, diz Dividino.


Segundo ele, primeiro foi projetada a recepção de vagões e caminhões e depois o porto propriamente dito.


“Estamos a mil metros da ferrovia e a 1400 metros da rodovia. Será a menor distância, em Paranaguá, entre caminhões e vagões em relação ao navio”, destaca.


O grande diferencial que o Portoguara promete é mais agilidade no descarregamento. 


“Hoje uma composição com 80 vagões leva cerca de 50 horas para descarregar grãos e 20 horas para carregar fertilizantes. Vamos fazer tudo em seis horas”, afirma o consultor.


Atualmente todo esse tempo é necessário porque uma composição desse tamanho não entra inteira no porto. Ela tem que ser desmembrada. 


Com a estrutura do novo terminal, a composição vai entrar direto, descarregar grão e sair carregada com fertilizante.


Serão disponibilizados mais de 21 km de vias permanentes (trilhos) formando a maior pera ferroviária dos portos brasileiros. A pera é um  pátio em formato circular que possibilita o transbordo da carga sem a necessidade de desmembramento do trem.


“Esta situação vai possibilitar à atual concessionária ferroviária e à Nova Ferroeste condição para quadruplicar os atuais volumes de transporte, oferecendo aos clientes a opção entre o transporte por rodovia e ferrovia”, explica Dividino.


Outra vantagem, o maior calado:

O Portoguara poderá receber navios carregados com 110 mil toneladas. O porto público recebe embarcações com carga entre 70 mil e 80 mil toneladas.


Estão projetados sete berços de atracação, sendo dois para a primeira fase, quando já será possível receber simultaneamente dois navios de 300 metros cada. 


No terminal público, a capacidade atual é para o recebimento de três navios simultaneamente, sendo dois de 220 metros e um de 240 metros.


Segundo o consultor, ao final da instalação do Portoguara, a matriz deverá ficar mais equilibrada, com 30% de terminais privados e 70% de terminais públicos.


De acordo com o coordenador do Plano Estadual Ferroviário, que está à frente do projeto da Nova Ferroeste, Luiz Henrique Fagundes, o Portoguara já nasce com um novo conceito de carga e descarga: 


“O trem vem  carregado com grãos e já sai com fertilizantes. Entra uma vez só no porto, essa é a grande vantagem”


A Nova Ferroeste vai ligar Maracaju (MS) ao porto de Paranaguá, numa extensão de 1285 quilômetros. A obra deve começar em 2022 e ser concluída em 2029.


Já o gerente de Assuntos Estratégicos da  Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, destaca:


“A grande inovação do Portoguara será o sistema de recebimento das cargas que serão exportadas vindas do interior do Paraná e estados vizinhos”


“O trem não precisará fazer manobras, seguindo sempre em frente”, observa Mohr.


Para ele, o sistema, como uma extensão do porto de Paranaguá, vai agilizar muito a operação e poderá trazer mais opções à movimentação de cargas para as indústrias do Estado do Paraná.



Redação da Maré.

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