Brasil terá 1º motor para submarino movido a energia nuclear até o fim do ano

> Publicado 25 outubro - Leitura Read

O Brasil pretende renovar a frota em uma parceria com a França. O primeiro motor deve entrar em operação até o fim deste ano.

                                
Brasil terá 1º motor para submarino movido a energia nuclear até o fim do ano

                         

O primeiro motor de submarino movido a energia nuclear do Brasil está sendo desenvolvido no Centro Tecnológico da Marinha em Iperó, a 125 quilômetros da capital paulista, no interior de São Paulo.

 

A tecnologia, concebida de forma inédita, foi totalmente desenvolvida no Brasil e faz parte do projeto de renovação da frota de submarinos do país.



Apenas seis países dominam a técnica no mundo: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China e Índia. 


O comandante Luís Cláudio Farina, diretor do Centro Industrial Nuclear de Aramar, explica que é preciso sigilo para que se tenha a segurança do projeto e do conhecimento gerado:


“O objetivo é que esse conhecimento permaneça na marinha e não seja desviado para outros projetos que não sejam pacíficos como o nosso”.


O laboratório de geração nucleoelétrica é um gigante de aço, igual ao submarino nuclear.

 

Tudo é feito em tamanho real, para que os engenheiros possam simular a operação do reator e fazer as modificações necessárias antes da instalação definitiva.


No centro tecnológico, equipamentos também vão monitorar a radioatividade, que é nociva ao corpo humano. Por isso, esses testes de segurança são fundamentais.


"Seria inadmissível que os testes de desempenho, em condições adversas, fossem processados no mar, porque, se algo der errado, é a vida dos tripulantes que estão lá naquela situação”, diz o comandante Salvador Ramos, vice-diretor do Centro Tecnológico da Marinha.

 

“Todas as situações de emergência serão testadas e validadas para, depois, termos a planta instalada no submarino, já sabendo como ela se comporta e a nossa capacidade de controlar essa planta nuclear".


Embora nenhum país forneça combustível nuclear para essa finalidade, a dificuldade foi superada pelo Centro Nuclear Industrial da Marinha, que hoje domina o enriquecimento de urânio. 

   

Parte da fábrica está em construção e, até 2025, deve entrar em pleno funcionamento. A tecnologia será instalada no último dos cinco submarinos que estão sendo construídos na região metropolitana do Rio.


A renovação da frota é uma parceria entre o Brasil e a França. O primeiro motor deve entrar em operação até o fim deste ano. As entregas vão até 2034.


Em um submarino tradicional, as baterias são carregadas por geradores movidos a diesel, mas a autonomia é de até 45 dias. 


Já com a energia nuclear, são sete anos. Serão 48 megawatts de potência


Isso significa que um reator nuclear submarino poderia iluminar uma cidade de 20 mil habitantes.


Os engenheiros acreditam que, em um futuro próximo, a tecnologia dos reatores nucleares possa ser utilizada em outras áreas: Tornar a água do mar potável e levar energia elétrica a áreas remotas que já estão no radar.


Redação da Maré.

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