Rota Bioceânica: Porto Murtinho se prepara para novo ciclo econômico

> Publicado 20 outubro - Leitura Read

Além de investimentos em infraestrutura e em capacitação de mão de obra, a prefeitura quer preparar a cidade para o desenvolvimento.

                               
Rota Bioceânica: Porto Murtinho se prepara para novo ciclo econômico


Vivenciando um novo ciclo econômico, como centro estratégico da Rota Bioceânica (Atlântico-Pacífico) e polo logístico hidroviário, Porto Murtinho, situada no estado de Mato Grosso do Sul, considerada a última guardiã do Rio Paraguai, está em processo de grandes transformações.


Além de investimentos em infraestrutura e em capacitação de mão de obra, a prefeitura quer preparar a cidade, urbanisticamente falando, para o novo boom, inserindo também o murtinhense, para que a chegada do desenvolvimento contemple a todos.

 

Com a revitalização do centro histórico (são mais de 120 imóveis de grande e média relevância distribuídos por 12 quarteirões), a cidade quer criar novos produtos turísticos e de entretenimento, formando uma rede de gastronomia e circuitos de visitação que incluam a área portuária.

 

No espaço, onde fica o prédio da prefeitura, construído em 1920, e vários monumentos, serão instaladas áreas de lazer com uma praia artificial de mil metros.

 

“Queremos a nossa cidade mais colorida e alegre, transformando o centro histórico em uma das principais entradas para receber o turista e nos preparando também para a chegada dos novos investidores”, afirma o prefeito Nelson Cintra.

 

“Hoje, com 109 anos, Murtinho tem pouco mais de 17 mil habitantes, mas em cinco anos terá 40 mil. Precisamos avançar em infraestrutura, em serviços, e contamos com o apoio do governo do Estado, do Sebrae e da Sudeco”, pontua.

 

Um dos desafios do projeto deverá ser vencido em uma etapa de longo prazo: integrar a população a esse novo momento, fazendo as pessoas acreditarem nas mudanças que virão e que vão gerar desenvolvimento e qualidade de vida.

 

O murtinhense deve se sentir como parte de algo maior que já está acontecendo


Esse sentimento de pertencimento será trabalhado a partir de um inventário de todos os imóveis envolvendo a parte histórica e seus moradores.

 

“Muitas vezes uma residência simples pertenceu ou acolheu pessoas ilustres, que fizeram história na cidade. Queremos que os moradores se sintam parte dessa história para, com isso, elevar a autoestima da população”, explica o professor Braz Leon, 52 anos, nativo fronteiriço. 


“Aqui já se nasce falando três línguas (português, espanhol e guarani)”, se autodefine o também escritor e autor de 10 livros, três dos quais sobre a fundação e sobre fatos épicos de Murtinho.

 

O levantamento de cada prédio (público e privado) para embasar o projeto da nova Porto Murtinho foi concluído esta semana. 


“A iniciativa de revitalizar os prédios históricos nasceu da necessidade de resgate desse espaço público, local onde a cidade se desenvolveu, mas que hoje encontra-se em estado de abandono, e também incentivar os moradores a recuperar residências que fazem parte dessa história, que é de todos”, explica o prefeito.


Integrando parte do território reivindicado pelo Paraguai antes da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), Porto Murtinho por muitas décadas ficou isolada do resto do Estado, no extremo sudoeste, por falta de estradas e de investimento público.

 

Às margens do Rio Paraguai, no entanto, foi um importante entreposto comercial desde o século 19, passando pelos ciclos da erva-mate e do tanino e tornando-se centro de pecuária tradicional do Pantanal.

 

Os imponentes casarões construídos há mais de um século por grandes e influentes comerciantes hoje integram o centro histórico e contam os tempos de prosperidade econômica que perduraram até 1970, com o tanino.

 

Redação da Maré.

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